Ontem fui ver um filme de ficção científica com o M., o Prometheus. Tinha uma parte horrível, com um alien a sair da barriga de uma mulher, que não vi (não vi mesmo, nem pelo meio das cortinas feitas pelos dedos para "não ver" as cenas horríveis no cinema). não sou muito fã de ficção científica, mas lá fiquei a pensar na possibilidade de tudo aquilo. passa-se em 2091, quando uma nave chega a uma planeta com vida, que os cientistas procuravam há muito, seguindo as pistas de pinturas rupestres e de representações da suposta visita de extraterrestres em várias civilizações, e depois a coisa não corre bem, porque o filme segue as pegadas do Alien, é do Ridley Scott, e assim há mais suspense, não fosse a ficção científica um género que utiliza a sala de cinema para o seu melhor - o suspense, o maravilhoso, a possibilidade dos outros mundos.
Sempre pensei na possibilidade de, em tempo de vida, os cientistas virem a descobrir vida noutro planeta. Além da vida no sentido mais amplo, da presença de água, ou elementos que se identifiquem com a palavra vida tal como é entendida na terra, a vida parecida com a vida humana, na sua forma contemporânea, ou seja, que os extraterrestres descobertos estejam vivos e queiram "conversar" connosco. Também penso às vezes na possibilidade de, em tempo de vida, o planeta terra acabar. Não é muito provável, mas pode acontecer. Pode vir aí um meteorito dos grandes e dar cabo disto tudo. Ou uma guerra atómica que meia dúzia de parvalhões podem infelizmente provocar. Ter um filho prolonga essas possibilidades. Será que o Joãozinho vai ver alguma destas coisas? Será que ele vai pensar muito nisso? Será que ele terá uma curiosidade científica grande? Será que ele quererá descobrir coisas destas? Será que viverá de acordo com o mundo a acontecer (o que me parece mais desejável) ou será que viverá em expectativa constante?
Isto são questões grandes que pouco interessam ao que está a acontecer agora.
Estar grávida e estar prestes a ter um filho dá muito a noção de que se deve viver o presente. Até porque não há outra maneira. Hoje faço isto, amanhã habituo-me àquilo, depois de amanhã vem qualquer coisa de novo de que não estava à espera, no dia seguinte aprendo sobre isso, e no dia depois resolvo, e depois mais um dia e usufruo da situação e outro dia mais, e mais uma coisa de novo.
De qualquer forma transportar um bebé na barriga que só vou conhecer quando nascer, faz-me imaginar tanta coisa. Um alien não é, porque fiz a amniocentese, e tem os cromossomas dos humanos, uff. Mas nada da sua vida que está prestes a começar pode ser realmente adivinhado. Bem vinda à vida do não controlar nada. Por estranho que pareça, isso deixa-me mais tranquila. Querer controlar o que vai acontecendo é tão cansativo.
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