quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

14 semanas e um dia - o coração, finalmente

(afinal tenho menos 3 dias do que pensava. assim a nova data prevista passa para dia 17 de julho).

Entre ontem e hoje, 2 consultas. A de ontem, no Hospital de Cascais, para marcar a amniocentese; a de hoje, de rotina, no centro de saúde.

Tivemos mais dois sermões sobre a amniocentese, pela enfermeira e pela médica no Hospital de Cascais. Ficámos mesmo com a impressão de que a médica que nos atendeu deve ser pró-vida. Basicamente, fez-nos argumentar sobre a nossa decisão, como se esta tivesse sido fácil de tomar. Cá vão os argumentos: 1. tenho mais de 35 (vários médicos indicam essa idade como a partir da qual é aconselhável fazer este exame); 2. a ex do M. apanhou um valente susto na 2ª gravidez, com os exames especiais ao sangue que se fazem para ver as hipóteses de mal formações, e depois teve de fazer amniocentese na mesma; 3. eu sou um "bocadinho" ansiosa e, independentemente de posteriores decisões, sobre o que fazer com possíveis informações menos pretendidas (i.e., na hipóetese de mal formação), gosto de me preparar antes. E os argumentos anteriores também colaboram para o 3º.
A amniocentese ficou marcada para daqui a 2 semanas.

Muito melhor foi a consulta de hoje: afinal só engordei um quilo e meio, mas tenho mesmo de ter cuidado (estou sempre a arranjar desculpas para comer grandes quantidades de pão com manteiga e bolachas). Pedi para me darem uma dieta, pelo menos é uma indicação para não exagerar nos hidratos. Claro que neste momento estou a comer um brownie mas pronto, foi um deslize depois de um jantar de um hamburger grelhado só com espinafres.

A médica pôs-me a sonda na barriga (igual às das ecografias, mas sem imagem, só com som) para procurar os batimentos cardíacos do bebé. Et voilá: primeiro ouviu-se a mãe (pensei logo que era o bebé, mas não podia ser, eram batimentos epsaçados); depois procurou melhor e ouviu-se o cordão (o cordão também se ouve, não é espantoso?), e, mais uma busca e "agora é o bebé" - ouvia-se um galope num planeta estranho ou numa frequência de rádio AM. A correr depressa num espaço amplo, calmo. Tenho um bebé na barriga! Uma imagem vale por mil palavras, mas os sons são mágicos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

13 semanas e 5 dias

Acho que estou a engordar demasiado, mas tenho medo de me pesar. Consigo ter alguns cuidados, como beber bastante água e fazer lanches durante o dia minimamente saudáveis (evitando bolos) mas depois não resisto a batatas fritas, gelados (no pino do inverno), hidratos de carbono em geral.

Ontem senti uma correntezinha eléctrica na barriga. Pelo que percebi dis livros, estas são as primeiras coisas que se sentem do bebé a mexer-se. Estou muito consciente de cada dia e até me esqueço que estou só com 13 semanas, parece que estou com mais.

Yoga para grávidas
Há dias experimentei uma aula de Yoga para grávidas, no Centro Pré e Pós-Parto, com a professora Mariana Ferreira. Respirar como deve ser é bom. E esticar um bocadinho também. Estamos lá grávidas das 13 às 30 e tal semanas.
A professora utilizou imagens bonitas para fazer os exercícios. dizia: apanhem as flores e atirem as flores ao ar; estão a cozinhar num grande caldeirão e têm de mexer bem a sopa. com as emoções à flor da pele, fiquei logo com a lágrima ao canto do olho quando ela disse, sintam o bebé, falem com o bebé, respirem com o bebé.
Antes do relaxamento dizemos umas respirações parecidas com as que se treinam para o parto (imagino eu) no fim da respiração, tínhamos de soltar um aaaahhh, com a língua de fora e os olhos bem abertos, virados para cima, como a deusa Kali. É a "cara do leão", mais uma bela imagem.
O melhor de tudo é que as aulas não são excessivamente caras e é na Rotunda de Entrecampos, a 5 minutos do ISCTE.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Primeira Ecografia

doze semanas e dois dias

o mais importante: está tudo bem. o médico viu que tinha o comprimento da coluna devido, que tinha osso do nariz, que está no percêntil 50 e que tem 6,5 cm. e que não tem mal formações aparentes.

mas o médico que me atendeu é a pessoa mais antipática do mundo. nisto não falam os livros, de que podemos encontrar profissionais de saúde antipáticos, porque quem escreve os livros são pessoas simpáticas que percebem que as pessoas precisam saber coisas.

talvez assim fique preparada caso me calhe uma equipa antipática no trabalho de parto...

demorei meia hora, depois de sair da clínica, para consciencializar positivamente tudo aquilo. tenho um bebé a crescer na barriga!! eu! como é possível? fomos nós os dois, eu e o M., que fizemos acontecer, e está a crescer, com ou sem ecografias, na dele, a buscar nutrientes como tem de ser. E mexe as pernas, viu o miguel. Não ouvi o coração (CONHECEM ALGUÉM QUE NÃO TENHA OUVIDO O CORAÇÃO DO BEBÉ NA PRIMEIRA ECOGRAFIA?!) mas bate a 150/minuto, vem na descrição do exame.

o meu coração também está diferente, está um ser humano na minha barriga a crescer, um dos seres vivos mais complexos da natureza toda. O único primata humano que sobreviveu à evolução das espécies. São mil pensamentos que vêm das informações prévias que tenho, e uma emoção nova que ainda não sei explicar e que cresce como o... como lhe chamar? já não consigo chamar feijão nem tangerina, por causa do tamanho, como antes, agora tem quase 7 cm, talvez uma pequena pêra de verão, ou uma batata nova, qualquer coisa que tenha a ver com terra, que só me ocorrem coisas na natureza como se fosse tudo espontâneo. ah, encontrei um nome poético, e dá para menino ou menina, é um bolbo de túlipa. ou simplesmente, tenho um bebé a crescer na barriga. ainda não queria chamar-lhe bebé, porque ainda falta a amniocentese e outras coisas que dão mais certezas de estar tudo bem, mas eu vi, eu vi, é um bebé a crescer na minha barriga!